Ser feliz ou ter razão

Ser feliz ou ter razão

Outro dia ouvi uma estória que se chamava “ser feliz ou ter razão”.

Era um conto sobre um casal que, indo de carro para uma festa, não sabia ao certo o caminho para chegar lá. Estavam felizes por estarem indo bem no caminho até que diante de um cruzamento, tiveram de escolher, ir para a direita ou ir para a esquerda. A mulher disse ao marido, que guiava o carro, que acreditava que o certo era irem para a direita. O marido, sem ter certeza de nada, disse a ela que o caminho certo era entrar à esquerda. A mulher ainda insistiu por mais uma vez que seu senso de direção lhe dizia que tinham que entrar à direita. O marido começou a ficar nervoso e dizia que achava que o caminho era para a esquerda. A mulher resolveu não insistir e deixou que o marido seguisse por onde achava melhor.

Assim que entrou à esquerda, o marido percebeu que estava errado. Tiveram que procurar por um retorno. Enquanto isso, o marido perguntou à esposa que, se ela sabia que era para a direita o certo, porque não insistiu com ele a ponto de não deixá-lo entrar à esquerda. A mulher, então, lhe respondeu que eles estavam bem naquela noite, felizes indo para a festa, e que se ela insistisse mais um pouco, eles poderiam começar uma briga e estragar a noite toda. Disse ela ao marido: entre ser feliz e ter razão, eu escolhi ser feliz. E lá se foi o casal curtir a festa tão esperada.

Pare para pensar: quantas vezes você deixou de ser feliz e viver algum momento de sua vida, porque estava muito preocupado em ter razão? Se repararmos, veremos que isso é mais comum em nossas vidas do que imaginamos.

O que temos que avaliar é: o que eu ganho em ter razão? Por que será que nos empenhamos tanto nisso? Tudo bem, há um gostinho de vitória quando dizemos algo que se mostra mais razoável ou correto diante de uma outra opinião ou de outra pessoa. Mas este gostinho dura alguns minutos e passa.

Muitas vezes estamos buscando reconhecimento através dessa atitude, e no final das contas, estamos querendo conquistar afeto através desse reconhecimento. Mas, a pessoa, muito preocupada em ter razão, tende a ouvir pouco os outros e desconsiderar a opinião alheia, no afã de mostrar que sua idéia ou opinião é mais valiosa. Esse tipo de postura atrai muito mais a solidão de um pedestal, que o carinho e a alegria da presença dos amigos.

Normalmente, quando a pessoa vive muito preocupada em ter razão, podemos pensar que o que está em jogo é uma enorme insegurança pessoal e uma grande carência afetiva. Muitas pessoas não sabem como se relacionar de modo a conquistar o afeto, a amizade e o respeito das outras pessoas. Pensam que se conquista respeito e reconhecimento através da imposição de seus valores e idéias. E esse, eu diria, é exatamente a contra mão do caminho para a felicidade.

Trocar idéias, opiniões, pensamentos, é muito importante para o nosso crescimento pessoal e para conquistar e manter bons relacionamentos. Muitas vezes queremos aprender sobre culturas variadas e ficamos encantados com modos de ver e de viver a vida que são bem diferentes do nosso. Mas somos incapazes de abrir os ouvidos ao vizinho, ao colega, ao irmão, ao pai ou filho, que estão ali do nosso lado, e que exatamente, por isso, julgamos familiar e achamos que eles não terão nada de novo, diferente ou interessante para nos oferecer.

Nós poderemos nos surpreender se simplesmente dermos o primeiro passo e mudarmos nossa atitude. Tolerar e até se admirar com as diferenças de quem está lá do outro lado do continente é muito mais fácil do que conviver e se dispor a ouvir e aprender com as diferenças daquele que está ao nosso lado. Experimente dar um primeiro passo nessa direção. Verá quais são as enormes vantagens que se têm quando se decide ser feliz ao invés de ter razão.